Equipamento permite preparar alimentos como asas de frango, carnes e bolos na cozinha da estação espacial Tiangong

Foto: Reprodução/Estação espacial Tiangong

Astronautas chineses ganharam um novo equipamento para preparar refeições no espaço: uma air fryer desenvolvida especialmente para funcionar em órbita. O aparelho passou a integrar a cozinha da estação espacial Tiangong e permite assar alimentos como asas de frango, carnes e bolos, segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua.

O equipamento faz parte de uma atualização da estrutura utilizada pelos astronautas durante missões prolongadas. Além da fritadeira de ar quente, a cozinha recebeu um micro-ondas e um sistema para tratamento de água, todos adaptados às condições encontradas no ambiente espacial.

De acordo com Liu Weibo, especialista do Centro de Astronautas da China citado pela Xinhua, o forno utiliza ar quente para preparar os alimentos e conta com um mecanismo capaz de retirar os vapores produzidos durante o cozimento. O sistema também foi desenvolvido para consumir pouca energia, uma característica importante em uma estação espacial.

Preparo em até 20 minutos


A modernização da cozinha faz parte de um conjunto de medidas para melhorar a alimentação das tripulações que passam longos períodos na Tiangong. O novo micro-ondas permite aquecer alimentos rapidamente, com baixo consumo de energia e sem risco de vazamento de radiação do aparelho, segundo a Xinhua.

Com os novos equipamentos, os astronautas podem consumir refeições quentes sem depender apenas de alimentos previamente preparados e armazenados. A estrutura também inclui um sistema de fornecimento de água desenvolvido para tornar potável a água recuperada na estação.

O cardápio disponível para a tripulação também foi ampliado. Atualmente, os astronautas contam com quase 200 tipos de alimentos, distribuídos ao longo de um ciclo de dez dias. Entre as opções estão vegetais frescos, oleaginosas, carnes e bolos que podem ser preparados na própria estação.

Até mesmo o iogurte pode ser produzido em órbita. Segundo a Xinhua, a China também já realizou experimentos de cultivo de plantas na estação espacial e conseguiu produzir 20 variedades de 14 espécies.

A preocupação com a alimentação está relacionada ao aumento da duração das missões. A estação Tiangong, cujo nome significa “Palácio Celestial”, entrou em uma fase de ocupação humana de longo prazo. Enquanto as permanências das tripulações costumavam durar cerca de seis meses, a China passou a realizar testes com períodos mais extensos.

Um integrante de uma missão tripulada deverá permanecer um ano em órbita, em um experimento que também busca ampliar o conhecimento sobre os efeitos de longas permanências em microgravidade.

Equipamentos do programa espacial chinês


A modernização da Tiangong ocorre enquanto Pequim amplia seus projetos de exploração espacial. O país trabalha para realizar uma missão tripulada à Lua até 2030 e também planeja desenvolver uma estação de pesquisa lunar.

A China mantém ainda pesquisas sobre produção de alimentos no espaço, uma área considerada importante para futuras missões de longa duração. A capacidade de preparar refeições e cultivar alimentos em órbita pode ajudar a reduzir a dependência de suprimentos enviados da Terra.

A estação Tiangong foi projetada para permanecer em operação por pelo menos uma década. Com a previsão de aposentadoria da Estação Espacial Internacional (ISS) no fim desta década, a estrutura chinesa poderá se tornar uma das principais plataformas de permanência humana contínua em órbita terrestre.