Pesquisa estabelece a relação entre a aventura da personagem do cinema e as descobertas sobre a ocupação humana no Pacífico
Foto: Divulgação Disney
Uma equipe de geógrafos e cientistas climáticos descobriu a verdadeira história de Moana. A personagem principal do filme é uma jovem da Polinésia que atravessa o oceano para garantir a sobrevivência de sua comunidade. Agora, uma pesquisa estabelece a relação entre o enredo e as descobertas sobre a ocupação humana no Oceano Pacífico.
A base da história está no intervalo conhecido como Longa Pausa, período de 1.700 anos em que os habitantes de Samoa e Tonga não realizaram viagens em direção ao leste. Por volta dos anos 900-1050 d.C., esse isolamento terminou, resultando na colonização do Taiti, do Havaí e das Américas em um intervalo de 250 anos. Esta movimentação é descrita como a maior migração marítima registrada.
Para investigar as causas desse movimento, a equipe coletou amostras de lama em pântanos e lagos de diversas ilhas, como a Polinésia Francesa e as Ilhas Cook. A análise utilizou fósseis produzidos por algas e folhas para medir a proporção de isótopos de hidrogênio e determinar os volumes de chuva ocorridos no passado. Os dados indicaram a ocorrência de uma seca em Samoa e Tonga justamente no início da fase migratória.
A modelagem do clima revelou que variações na temperatura da superfície do mar no Pacífico provocaram o deslocamento da zona de chuvas para o leste. Este fenômeno resultou no período de menor precipitação nos últimos 2.000 anos para as ilhas de origem da população. O deslocamento da faixa de umidade criou condições para a existência de água nas ilhas receptoras, que estavam desabitadas no momento da chegada dos navegadores.
A escassez de água alterou a produção de alimentos e a resiliência das comunidades locais, gerando a necessidade de buscar recursos em outros territórios. O estudo, publicado Journal of Pacific Archaeology, demonstra a reação de grupos humanos diante de mudanças ambientais de longo prazo. A deterioração das condições de vida serviu como fator determinante para o início das jornadas marítimas.
O fator ambiental somou-se ao crescimento da população e ao desenvolvimento de tecnologias de navegação. Os construtores de embarcações adaptaram os cascos das canoas, substituindo o formato em U pelo formato em V. Essa alteração permitiu que os navegadores seguissem contra a direção do vento predominante no Pacífico Sul, viabilizando o acesso a novas terras.
O estudo foi desenvolvido por cientistas das Universidades de Southampton e East Anglia, do Reino Unido.
