Numeração faz alusão ao armistício assinado em 27 de julho de 1953 que encerrou a Guerra da Coreia
Foto: Reprodução/Youtube/YTN
O líder norte-coreano Kim Jong-un fez sua quinta visita à China chamando atenção com um detalhe inusitado. O carro que o ditador usou em Pequim tinha a numeração da placa “7·271953”, uma referência direta ao armistício assinado em 27 de julho de 1953 que encerrou a Guerra da Coreia. A escolha foi interpretada por analistas como uma mensagem simbólica aos Estados Unidos.
A Coreia do Norte comemora a data como o “Dia da Vitória na Guerra de Libertação da Pátria”, enquanto a China se refere ao conflito como a “Guerra para Resistir à Agressão dos EUA e Ajudar a Coreia”.
Para Pyongyang, a placa reafirma a narrativa de que o país venceu os Estados Unidos e não cederá à pressão americana. Também reforça a ideia da chamada “aliança de sangue” entre norte-coreanos e chineses durante a guerra.
O gesto contrastou com o do presidente russo Vladimir Putin, que entrou em Tianjin no último domingo (31) a bordo de seu veículo oficial Aurus, com a identificação da Embaixada Russa “198·852”.
Kim desfilou pelas ruas de Pequim em um Mercedes-Maybach, modelo que custa entre US$ 175,5 mil e US$ 227,4 mil nos Estados Unidos e mais de 108 mil libras no Reino Unido. O líder tem uma conhecida coleção de carros de luxo, que inclui um Rolls Royce Phantom, sedãs blindados Lexus, um Mercedes-Maybach S600 Guard e uma Cadillac Escalade de quinta geração fabricada nos EUA.
O uso desses veículos acontece apesar das sanções internacionais impostas à Coreia do Norte, que proíbem a aquisição de bens de luxo em uma tentativa de limitar o programa nuclear do regime. Ainda assim, Kim mantém acesso a automóveis de alto padrão, frequentemente exibidos em visitas oficiais ao exterior.
A chegada de Kim a Pequim foi marcada por forte aparato de segurança. Sua comitiva contou com 28 veículos, incluindo escoltas policiais chinesas e ambulâncias. Desta vez, não houve motocicletas na proteção, ao contrário de visitas anteriores. O líder estava acompanhado pela filha Kim Ju-ae, cuja presença foi confirmada pelo Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul.
