Segundo Itamaraty, Brasil e Indonésia firmaram ao menos oito acordos envolvendo agro, pesquisas e combustíveis
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A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e empresários à Indonésia rendeu ao Brasil ao menos oito acordos de cooperação, segundo o Itamaraty.
Os acordos, que buscam expandir o saldo nas relações comerciais, envolve setores de minas e energia, ciência e tecnologia, além da cooperação na área estatística.
A Indonésia é um dos principais parceiros comerciais do Brasil na Ásia, sendo o 16º maior destino de exportações brasileiras e o 5º no setor do agronegócio.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em 2024, os fluxos comerciais atingiram o patamar recorde de US$ 6,3 bilhões, com superávit brasileiro (US$ 2,6 bilhões). Destacam-se as exportações de farelo de soja e açúcares.
A expectativa, segundo um estudo feito pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), é de que o Brasil possa ampliar as relações comerciais com a Indonésia em setores como agroindústria, têxtil e defesa.
“Diante das recentes turbulências nas relações comerciais no mercado global, especialmente com as taxações dos Estados Unidos, passa a ser estratégico para o Brasil analisar as oportunidades de negócios e a agenda prioritária com outros países”, explica a confederação.
Para ‘fugir’ do tarifaço
Em meio a taxação dos EUA aos produtos brasileiros, o Brasil busca diversificar o mercado com novos parceiros e redirecionar os produtos taxados para outros países.
Com a situação, o governo tenta ampliar a relação com países asiáticos. Durante a visita à Indonésia, por exemplo, Lula chegou a afirmar que o Brasil tem planos de se tornar membro pleno da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático).
Em relação às exportações de soja para a China, por exemplo, o Brasil registrou um crescimento de 15%, nos últimos sete anos.
O crescimento, de US$ 27,2 bilhões em 2018 para US$ 31,5 em 2024, está atrelado à disputa comercial entre os países, que fez com que a China deixasse de ser o principal comprador da soja norte-americana.
Segundo o governo, as relações com a associação são essenciais para a estratégia da política externa brasileira ampliar a cooperação com o Sudeste Asiático.
Do ponto de vista econômico, a corrente comercial do Brasil com os países da Asean passou de US$ 3 bilhões em 2002 para US$ 37 bilhões em 2024, um aumento de 12 vezes.
Em 2024, o bloco foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil no mundo, sendo o quarto maior destino das exportações brasileiras e responsável por 20% de todo o superávit da balança comercial brasileira, com saldo de USD 15,5 bilhões.
Áreas que Brasil e Indonésia fecharam acordos
Minas e energia
Nesta área, o acordo abrange as áreas de petróleo e gás, energias renováveis, eficiência energética, modernização de redes elétricas e sustentabilidade mineral.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o acorde prevê a troca de informações sobre a política e regulamentação dos setores, cooperação estratégica, planejamento e eficiência energética, além do desenvolvimento tecnológico e o incentivo à colaboração entre entidades empresariais e governamentais visando a prospecção de novos negócios e investimentos.
Agronegócio
No agro, os países assinaram um Memorando de Entendimento sobre cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias, que tem por objetivo consolidar a cooperação em áreas de sanidade animal, vegetal e certificação, especialmente em relação ao comércio de produtos agropecuários.
Além desses temas, estão previstas áreas de colaboração para também o reconhecimento de “equivalência de medidas sanitárias, a capacitação técnica, o intercâmbio de experiências e a realização de atividades conjuntas de facilitação do comércio”.
Tecnologia
Além das áreas de energia e agronegócio, o Brasil e Indonésia assinaram acordos para o desenvolvimento de novas tecnologias, projetos de pesquisa, inovação e capacitação e de estudos para a colaboração bilateral.
Entre os temas principais está biodiversidade, com ênfase em seu uso sustentável e responsável; mudanças climáticas, incluindo ciências oceânicas e florestas tropicais; pesquisa e tecnologia espacial; e energia limpa, como a nuclear e a bioenergia.
Visando ampliar a proteção das florestas de ambos países, um dos documentos assinados prevê a cooperação no uso de satélites e a cooperação na bioeconomia.
