Ahn nasceu em 1930 na ilha de Ganghwa, no atual território sul-coreano, quando a península ainda estava sob domínio japonês

Foto: Reprodução/Comitê para a Repatriação de Ahn Hak-sop

Ahn Hak-sop, um ex-soldado norte-coreano de 95 anos que passou mais de quatro décadas preso no Sul, voltou a pedir sua repatriação para a Coreia do Norte. Nesta semana, ele tentou marchar em direção à fronteira carregando uma bandeira norte-coreana, mas foi impedido por tropas sul-coreanas em Paju.

Ahn chegou a reclamar de dores no joelho e foi levado ao hospital, mas já se recupera em casa, em Gimpo, perto de Seul. “Ele disse que se sentiu bem por ter a oportunidade de falar o que pensa diante dos jornalistas”, afirmou um sul-coreano que acompanhou o protesto de Ahn. O ativista acrescentou que o ex-soldado deve participar de um protesto em Seul no fim de semana pedindo novamente para voltar ao Norte.

Ahn nasceu em 1930 na ilha de Ganghwa, no atual território sul-coreano, quando a península ainda estava sob domínio colonial japonês. Após a derrota do Japão em 1945, a Coreia foi dividida em dois Estados, o Sul aliado aos Estados Unidos e o Norte sob influência soviética, com a separação sendo consolidada pela Guerra da Coreia entre 1950 e 1953.

Em 1952, Ahn se voluntariou para lutar pelo exército norte-coreano. Foi capturado por tropas do Sul em abril de 1953, poucos meses antes do armistício que encerrou os combates, e permaneceu preso por 42 anos. Em 1995, recebeu perdão presidencial e foi libertado.

Cinco anos depois, durante o governo sul-coreano de Kim Dae-jung, que buscava aproximação com Pyongyang, 63 prisioneiros norte-coreanos foram repatriados após uma cúpula com Kim Jong-il. Ahn teve a oportunidade de seguir com o grupo, mas decidiu permanecer no Sul. Na época, afirmou que continuaria fazendo campanha até a retirada das tropas americanas do país.

No entanto, em julho deste ano, manifestou a vontade de ir para o Norte, decisão influenciada por sua saúde frágil e pela percepção de que seu tempo estava se esgotando. O governo sul-coreano declarou neste mês que não tem planos imediatos de repatriar os poucos prisioneiros remanescentes que expressam esse desejo e não há clareza sobre uma eventual aceitação por parte do regime de Kim Jong-un.

As chances de retorno de Ahn são reduzidas pelo atual cenário político. Desde o fracasso das negociações nucleares com Washington em 2019, a Coreia do Norte suspendeu quase toda forma de diálogo e cooperação com Seul, ampliando o isolamento entre os dois países.