Ahn nasceu em 1930 na ilha de Ganghwa, no atual território sul-coreano, quando a península ainda estava sob domínio japonês
Foto: Reprodução/Comitê para a Repatriação de Ahn Hak-sop
Ahn Hak-sop, um ex-soldado norte-coreano de 95 anos que passou mais de quatro décadas preso no Sul, voltou a pedir sua repatriação para a Coreia do Norte. Nesta semana, ele tentou marchar em direção à fronteira carregando uma bandeira norte-coreana, mas foi impedido por tropas sul-coreanas em Paju.
Ahn chegou a reclamar de dores no joelho e foi levado ao hospital, mas já se recupera em casa, em Gimpo, perto de Seul. “Ele disse que se sentiu bem por ter a oportunidade de falar o que pensa diante dos jornalistas”, afirmou um sul-coreano que acompanhou o protesto de Ahn. O ativista acrescentou que o ex-soldado deve participar de um protesto em Seul no fim de semana pedindo novamente para voltar ao Norte.
Ahn Hak-sop, 95, spent decades locked up in the South and is now desperate to go home to North Korea. But his long fight to return to the North was stopped this week after South Korean soldiers stopped him at a checkpoint. According to an activist, the 95-year-old wants to go… pic.twitter.com/QO4CNIFh6R
— 7NEWS Australia (@7NewsAustralia) August 22, 2025
Ahn nasceu em 1930 na ilha de Ganghwa, no atual território sul-coreano, quando a península ainda estava sob domínio colonial japonês. Após a derrota do Japão em 1945, a Coreia foi dividida em dois Estados, o Sul aliado aos Estados Unidos e o Norte sob influência soviética, com a separação sendo consolidada pela Guerra da Coreia entre 1950 e 1953.
Em 1952, Ahn se voluntariou para lutar pelo exército norte-coreano. Foi capturado por tropas do Sul em abril de 1953, poucos meses antes do armistício que encerrou os combates, e permaneceu preso por 42 anos. Em 1995, recebeu perdão presidencial e foi libertado.
Cinco anos depois, durante o governo sul-coreano de Kim Dae-jung, que buscava aproximação com Pyongyang, 63 prisioneiros norte-coreanos foram repatriados após uma cúpula com Kim Jong-il. Ahn teve a oportunidade de seguir com o grupo, mas decidiu permanecer no Sul. Na época, afirmou que continuaria fazendo campanha até a retirada das tropas americanas do país.
No entanto, em julho deste ano, manifestou a vontade de ir para o Norte, decisão influenciada por sua saúde frágil e pela percepção de que seu tempo estava se esgotando. O governo sul-coreano declarou neste mês que não tem planos imediatos de repatriar os poucos prisioneiros remanescentes que expressam esse desejo e não há clareza sobre uma eventual aceitação por parte do regime de Kim Jong-un.
As chances de retorno de Ahn são reduzidas pelo atual cenário político. Desde o fracasso das negociações nucleares com Washington em 2019, a Coreia do Norte suspendeu quase toda forma de diálogo e cooperação com Seul, ampliando o isolamento entre os dois países.
