Guarda Costeira taiwanesa investiga possível ato deliberado em meio a tensões com chineses
Foto: Divulgação/Guarda Costeira de Taiwan
A Guarda Costeira de Taiwan deteve nesta terça-feira (25) um navio de carga com tripulação chinesa suspeito de danificar um cabo submarino de internet que conecta a ilha principal às ilhas Penghu.
A embarcação, registrada no Togo sob o nome “Hong Tai”, foi interceptada após o cabo ser desconectado nas primeiras horas do dia, levantando temores de uma possível operação chinesa de “zona cinzenta” — um ato de interferência hostil que não chega a configurar guerra aberta.
De acordo com um comunicado da Guarda Costeira taiwanesa, o navio, que operava com uma “bandeira de conveniência” (registrada em um país diferente de sua origem), estava ancorado perto do cabo desde sábado (22), na costa sudoeste de Taiwan.
Apesar de repetidas tentativas de contato por rádio e alto-falantes, a tripulação, composta por oito cidadãos chineses, não respondeu às autoridades. Após uma denúncia da maior operadora de telecomunicações integrada de Taiwan sobre a interrupção do cabo submarino, embarcações da Guarda Costeira abordaram o “Hong Tai” e o escoltaram ao porto de Anping, em Tainan, para investigação.
“Se foi um ato intencional de sabotagem ou um simples acidente, isso exige uma análise mais aprofundada”, disse a Guarda Costeira no comunicado. As autoridades não descartaram a hipótese de que o incidente seja parte de uma estratégia chinesa de “zona cinzenta”, termo usado para descrever ações coercitivas que pressionam Taiwan sem escalar para um conflito direto.
O caso foi encaminhado a promotores e está sendo tratado como uma questão de segurança nacional.
Histórico de incidentes
O dano ao cabo submarino não é um caso isolado. Nos últimos anos, Taiwan registrou interrupções suspeitas em sua infraestrutura de telecomunicações. Em janeiro deste ano, um navio ligado à China foi investigado por cortar um cabo na costa norte da ilha. Em 2023, dois incidentes atribuídos a embarcações chinesas deixaram as ilhas Matsu sem internet por semanas, embora as autoridades não tenham confirmado intenção deliberada.
Esses episódios alimentam a preocupação em Taipé sobre a vulnerabilidade de seus cabos submarinos, essenciais para manter a comunicação com o mundo exterior. Cerca de 95% do tráfego global de internet passa por essas estruturas, que movimentam aproximadamente US$ 10 trilhões em comércio diário, segundo o chefe da OTAN, Mark Rutte.
Taiwan, que enfrenta crescente pressão de Pequim — que reivindica a ilha como parte de seu território –, teme que tais incidentes sejam tentativas de minar sua conectividade.
Resposta rápida
A operadora de telecomunicações taiwanesa informou que um cabo reserva entrou em operação imediatamente após o dano, evitando interrupções nas comunicações entre Taiwan e Penghu.
No entanto, o governo do país intensificou a vigilância sobre embarcações suspeitas. Uma lista com mais de 50 navios, muitos sob bandeiras de conveniência como a do Togo, mas ligados a empresas chinesas, está sob monitoramento, conforme revelado pelo jornal Financial Times e confirmado pelo The Guardian.
Um alto funcionário de segurança de Taiwan, que falou à Reuters sob anonimato, destacou que o caso está sendo tratado com máxima seriedade. “Não podemos ignorar a possibilidade de assédio em zona cinzenta”, disse. A Marinha e outras agências também reforçaram a proteção da infraestrutura submarina após incidentes anteriores.