Acordo entre os dois países prevê que a ditadura de Kim Jong-un deve fazer notificações antecipadas de descargas da barragem
Foto: Reprodução/Youtube/Arirang News
A Coreia do Norte voltou a liberar água da Represa Hwanggang, no Rio Imjin, sem aviso prévio, forçando autoridades sul-coreanas a ordenar a evacuação de moradores e visitantes em áreas ribeirinhas próximas à fronteira. O episódio reacendeu críticas sobre o descumprimento do acordo intercoreano de 2009, que previa notificações antecipadas de descargas da barragem.
Na madrugada de segunda-feira (8) na região, os níveis de água na Ponte Pilseung, em Yeoncheon, ultrapassaram um metro por volta da 1h20, acionando sirenes e alertas de celular para evacuação imediata. Às 11h10, a marca chegou a 1,42 metro, de acordo com o Escritório de Controle de Inundações do Rio Han. A região é a última antes do Rio Imjin seguir em direção a Paju, ao norte de Seul.
O Ministério do Meio Ambiente do Sul confirmou, por meio de imagens de satélite, a abertura das comportas da represa norte-coreana. Construída há mais de uma década, a Hwanggang tem capacidade cinco vezes maior que a Represa Gunnam, no lado sul, considerada uma contramedida de contenção. As duas ficam a pouco mais de 56 quilômetros de distância.
“Condenamos os danos contínuos ao Sul causados pela liberação inesperada de água da Represa de Hwanggang pela Coreia do Norte”, declarou Hong Jeong-sik, líder do grupo cívico Hwalbindan. Ele cobrou o cumprimento imediato do acordo intercoreano, que exige aviso prévio para reduzir riscos de inundação.
As autoridades alertam que uma descarga de 500 toneladas de água por segundo da represa norte-coreana levaria cerca de nove horas para alcançar a Ponte Pilseung. Por isso, a coordenação entre os dois lados é considerada essencial para evitar tragédias.
O Ministério da Unificação informou que a Coreia do Norte também liberou água sem aviso em 25 de junho e 18 de julho. “O governo está monitorando de perto as atividades de liberação do Norte e está trabalhando com os ministérios relevantes para evitar danos causados por inundações nas áreas de fronteira”, disse um porta-voz da pasta.
As liberações recentes não causaram danos significativos devido ao baixo volume de água. No entanto, episódios anteriores tiveram consequências graves. Em setembro de 2009, uma descarga repentina da Hwanggang matou seis campistas em Yeoncheon. Mesmo após a construção da Represa Gunnam, novas liberações já inundaram casas, terras agrícolas e danificaram barcos de pesca em Paju e Yeoncheon.
Apesar dos apelos humanitários de Seul, Pyongyang tem ignorado reiteradamente o compromisso assumido em 2009. O Sul segue cobrando notificações prévias para reduzir riscos à população que vive próxima ao Rio Imjin.
